Desde que a identidade visual da Copa do Mundo de 2026 foi lançada, ouvi muitas críticas ao projeto.
A mais comum delas foi: preguiçoso.
E, à primeira vista, eu entendo a reação. Afinal, o logo é composto basicamente pelos números do ano, a imagem da taça e a assinatura institucional da FIFA. Visualmente, ele parece simples demais para um evento da dimensão de uma Copa do Mundo.
Mas eu não acho que o problema seja preguiça.
Acho que é falta de ousadia.
Ou, talvez, excesso de cautela.
Vale lembrar o tamanho do desafio. Pela primeira vez, uma Copa do Mundo acontece em três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Três culturas diferentes. Três histórias diferentes. Três identidades visuais diferentes.
Um briefing complexo.
Mas também uma oportunidade extraordinária.
Três países. Três culturas. Três identidades visuais. Poucas vezes um logo de Copa recebeu um desafio tão complexo.
A identidade visual poderia explorar contrastes culturais, linguísticos e estéticos. Poderia criar pontes entre imaginários distintos. Poderia construir uma narrativa visual única.
Mas o caminho escolhido foi outro.
O designer optou pela segurança.
E é importante dizer: não há nada de errado com isso.
O logo é tecnicamente muito bem resolvido. A construção é sólida. A tipografia sem serifa transmite clareza. A composição é equilibrada. A taça aparece integrada ao sistema gráfico. Tudo funciona exatamente como deveria funcionar.
É um projeto eficiente.
Talvez eficiente demais.
O resultado é um logo profundamente modernista. Funcional, racional, limpo e institucional. Um descendente direto da tradição da Bauhaus, do Estilo Suíço e de toda a herança funcionalista do design moderno.
O designer sabia exatamente o que estava fazendo.
E fez muito bem.
A questão é outra.
Será que o melhor caminho era justamente o mais seguro?
Quando olhamos para identidades de Copas anteriores, percebemos algo interessante. Muitas delas buscavam traduzir visualmente aspectos culturais dos países-sede. Eram marcas carregadas de pertencimento, simbolismo e personalidade.
Podiam ser menos universais.
Mas eram mais memoráveis.
Talvez por isso o debate em torno da Copa de 2026 seja tão interessante. Ele vai muito além de um logo.
Ele fala sobre uma tendência que vejo com frequência no mercado criativo.
À medida que amadurecemos profissionalmente, aprendemos a evitar erros. Aprendemos sistemas, grids, alinhamentos, metodologias e boas práticas.
E isso é ótimo.
O problema surge quando o medo de errar se torna maior do que a vontade de experimentar.
Porque o design modernista funciona. Sempre funcionou. E todo designer deveria dominar essa linguagem.
Mas dominar uma linguagem não significa falar apenas por ela.
Às vezes, o melhor projeto não é o mais seguro.
É o que encontra coragem para ir um pouco além.

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