Nas últimas décadas, o design passou por uma transformação importante. A partir das críticas pós-modernas ao funcionalismo rígido do design moderno, ampliamos nossa compreensão sobre o que pode ser considerado design e sobre quais imaginários merecem representação. Esse movimento permitiu que manifestações visuais antes marginalizadas passassem a ocupar espaço de destaque. O design vernacular, o design étnico, o design periférico e inúmeras outras expressões culturais deixaram de ser vistos como desvios da norma para serem reconhecidos como formas legítimas de produção estética. Foi um ganho enorme. Não apenas para o design, mas para a representação cultural de diferentes povos e territórios. Nas últimas décadas, vimos crescer a valorização do regional, do local e do pertencimento. O design passou a dialogar com identidades específicas, tornando-se também um instrumento de afirmação cultural e política. Mas a popularização das IAs generativas trouxe uma nova questão para es...
Desde que a identidade visual da Copa do Mundo de 2026 foi lançada, ouvi muitas críticas ao projeto. A mais comum delas foi: preguiçoso. E, à primeira vista, eu entendo a reação. Afinal, o logo é composto basicamente pelos números do ano, a imagem da taça e a assinatura institucional da FIFA. Visualmente, ele parece simples demais para um evento da dimensão de uma Copa do Mundo. Mas eu não acho que o problema seja preguiça. Acho que é falta de ousadia. Ou, talvez, excesso de cautela. Vale lembrar o tamanho do desafio. Pela primeira vez, uma Copa do Mundo acontece em três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Três culturas diferentes. Três histórias diferentes. Três identidades visuais diferentes. Um briefing complexo. Mas também uma oportunidade extraordinária. Três países. Três culturas. Três identidades visuais. Poucas vezes um logo de Copa recebeu um desafio tão complexo. A identidade visual poderia explorar contrastes culturais, linguísticos e estéticos. Poderi...