Estou desatualizado do resto do mundo, mas aqui no Brasil a publicidade parece atravessar uma crise criativa. Puxe pela memória a última campanha que marcou você por um jingle memorável, uma redação brilhante, um mote poderoso ou simplesmente um trocadilho daqueles que grudam na cabeça. Dou 30 segundos. Difícil, não é? E antes que alguém culpe a IA generativa, não, ela não é responsável por essa crise. Talvez tenha participação em uma crise estética, mas essa é uma conversa para outro texto. O que parece estar cada vez mais raro é o conceito publicitário bem construído. A ideia capaz de despertar emoções, criar associações, gerar lembrança e construir valor para uma marca. Um texto (escrito ou imagético) que não apenas apareça diante do consumidor, mas que permaneça com ele. Parte dessa percepção talvez venha de uma mudança na própria lógica do mercado. A máxima de que o sucesso de uma campanha depende mais do plano de mídia do que da criação acabou se consolidando como verdade op...
Dois eventos recentes são os motivadores desse texto. O primeiro foi o lançamento do filme Pantera Negra nos cinemas, o segundo foi o “discurso” do apresentador do reality show BBB Tiago Leifert. Quando Pantera Negra foi lançado muitos entenderam e louvaram a relação direta entre um protagonista negro de um filme de super-herói e a representatividade. Mas o que chamou a atenção foi a imediata chuva de discursos e piadinhas tentando tirar a legitimidade dessa representatividade. Quando uma participante de um reality show saiu do programa, o apresentador irresponsável fez um discurso em rede nacional recheado de bobagens onde uma frase me chamou muito a atenção “A representatividade não leva a nada”. A irresponsabilidade de dizer uma frase dessa em rede nacional na maior emissora de televisão do país não tem justificativa, em nenhum contexto. Porque a representatividade importa tanto? Essa pergunta não deveria nem existir. A partir do momento que tu entende o que é a...