A palavra "revolução" anda sendo usada com uma facilidade impressionante. Historicamente, revoluções compartilham algumas características. A primeira é a capacidade de provocar mudanças profundas nas estruturas sociais, culturais ou políticas. A segunda é seu caráter popular. Revoluções não costumam nascer no topo da pirâmide; elas emergem da base, ganham adesão coletiva e, só então, transformam sistemas inteiros. Nesse sentido, vale questionar: as IAs generativas representam realmente uma revolução? Tenho minhas dúvidas. O discurso de mercado diz que sim. A cada semana surge uma nova plataforma prometendo reinventar a forma como trabalhamos, criamos ou nos relacionamos com a tecnologia. Hoje é uma ferramenta, amanhã é outra. Os nomes mudam, mas a promessa permanece a mesma: estamos diante de uma revolução. O texto publicitário é sedutor. O léxico é cuidadosamente construído para transmitir urgência e inevitabilidade. Parece que quem não aderir imediatamente ficará para ...
Estou desatualizado do resto do mundo, mas aqui no Brasil a publicidade parece atravessar uma crise criativa. Puxe pela memória a última campanha que marcou você por um jingle memorável, uma redação brilhante, um mote poderoso ou simplesmente um trocadilho daqueles que grudam na cabeça. Dou 30 segundos. Difícil, não é? E antes que alguém culpe a IA generativa, não, ela não é responsável por essa crise. Talvez tenha participação em uma crise estética, mas essa é uma conversa para outro texto. O que parece estar cada vez mais raro é o conceito publicitário bem construído. A ideia capaz de despertar emoções, criar associações, gerar lembrança e construir valor para uma marca. Um texto (escrito ou imagético) que não apenas apareça diante do consumidor, mas que permaneça com ele. Parte dessa percepção talvez venha de uma mudança na própria lógica do mercado. A máxima de que o sucesso de uma campanha depende mais do plano de mídia do que da criação acabou se consolidando como verdade op...