Quem trabalha com criação convive diariamente com um desafio curioso: preencher uma página em branco. No design, na publicidade, no audiovisual ou em qualquer outra atividade criativa, o processo costuma começar da mesma forma. Uma tela vazia. Um documento em branco. Já vi compararem esse trabalho ao mito de Sísifo. Empurramos uma pedra montanha acima para, no dia seguinte, encontrarmos outra montanha esperando por nós. Piadas de agência à parte, existe uma verdade nessa comparação. O trabalho criativo exige um estado permanente de atenção. Criar não é apenas produzir. É observar. No início da carreira isso costuma ser difícil. A impressão é que algumas pessoas nasceram inspiradas e outras não. Mas, com o tempo, a gente descobre que inspiração não é um dom. Ela é um método. Durante muito tempo construímos uma imagem quase mística da inspiração. Como se as boas ideias surgissem por intervenção divina ou por algum tipo de iluminação repentina. A prática ensina outra coisa. A inspir...
Quando cheguei por aqui, nem tudo era mato, mas ainda havia bastante terreno para explorar. Como quase todo profissional da área criativa dos anos 1990 e 2000, passei por uma infinidade de softwares. QuarkXPress, PageMaker, FreeHand, Flash, Fireworks e vários outros da antiga Macromedia fizeram parte da minha formação. Mas havia um nome que ocupava um lugar especial nas agências e departamentos de arte: o CorelDRAW. Originalmente, o CorelDRAW nasceu como um software de desenho vetorial. No entanto, ao longo do tempo, decisões de mercado e demandas dos usuários fizeram com que novas funcionalidades fossem sendo incorporadas ao programa. Aos poucos, ele deixou de ser apenas uma ferramenta de ilustração e passou a flertar com edição de imagens, diagramação e outras atividades. A ideia era ambiciosa. Concentrar em um único software tarefas que normalmente exigiam programas diferentes. O problema é que a tecnologia da época não acompanhava essa ambição. Existe uma velha piada entre designer...