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Illustrator X CorelDraw - O retorno

Há um tempo eu escrevi um post sobre a disputa entre os dois mais famosos programas vetoriais do mercado: Corel Draw e o Adobe Illustrator. Minha intenção era fazer dois posts, um falando sobre a disputa e outro pra explicar realmente o que gerou essa briga entre os usuários dos dois programas. Demorei muito em escrever o segundo post mas agora vai.

A maioria das pessoas que defende essa disputa, hora puxando a sardinha pra Adobe hora pra Corel, realmente não sabe por que faz isso. O tema já virou um slogan totêmico (um clichê), repetido e repetido como verdade, mas sem muita base. Pouca gente sabe que origem real dessa disputa começou em outro nível, no nível dos sistemas operacionais.

O Corel Draw é o programa vetorial da plataforma Windows. A programação do soft é feita para rodar somente no Windows; uma versão do Corel Draw até foi feita para a plataforma Mac mas não teve muito sucesso e o projeto foi encerrado. Já o Illustrator passeia livremente pelos dois sistemas operacionais sem grandes problemas, apesar de que muita gente concorda que ele se dá melhor no sistema da Apple. Foi a partir daí que a disputa ente os dois softs começou.

Desde o princípio, Apple e Windows mostraram claramente o nicho comercial de cada um. A diferença das interfaces dos dois sistemas sempre foi o maior referencial dessas escolhas mercadológicas. No livro “Cultura da Interface”, Steven Johnson descreve como foram as primeiras análises sobre a metáfora do desktop do Mac e do Lisa – os dois modelos da Apple que vieram com a interface de janelas e o com o mouse. “Algumas das análises da interface gráfica batiam na ridícula tecla do homem-que-é-homem-não-faz-janelinha, que reverberou pelo mundo empresarial norte-americano na década de 1980, como neste blábláblá tomado da revista Creative Computing: 'ícones e um mouse não vão fazer ninguém deixar de ser analfabeto. Apontar para figuras não leva muito longe. Mais cedo ou mais tarde você tem que parar de apontar e selecionar, e começar a pensar e a digitar'”.

Pra nós essa análise parece uma coisa ridícula, como assim o mouse não é útil? Como assim janelas não são boas? Mas pra época essas questões eram bem relevantes. Johnson continua, “Outras análises erravam o alvo por completo, descartando o Mac como uma ferramenta que só teria utilidade para artistas e programadores visuais, como se a principal inovação da máquina fosse a lata de spray do MacPaint e não a própria interface.” Outro trecho de uma publicação da época falando sobre o Mac, mas precisamente sobre o MacPaint e MacWrite, “ambos são controlados pelo 'mouse' da máquina, que move o cursor sem que o usuário toque no teclado. Tamanha simplicidade não é o que almejam as grandes empresas. O executivo médio tem pouca necessidade dessa habilidade gráfica do MacPaint. A maioria deles já tem que penar o suficiente para escrever relatórios, sem ter de se preocupar também com a apresentação gráfica deles.” Essas diferenças entre os sistemas operacionais criaram dois tipos de usuários bem diferentes conforme classificou Johnson “Os PCs, com seus códigos misteriosos e seus medonhos monitores verde-sobre-preto, pertenciam aos ternos, ao Homem da Empresa. A bem-humorada interface do Mac falava para uma gente diferente: tipos mais joviais, criativos, novos pensadores e iconoclastas. Comprar um Mac era uma expressão de identidade visual, como para Steven Jobs usar camiseta em reuniões do conselho diretor. O computador que você usava revelava sua personalidade.”

Esses estereótipos se tornaram tão fortes que começaram a contaminar outros níveis, como no caso dos programas vetoriais. As pessoas começaram a confundir as coisas. Como não há uma versão de Corel Draw para Mac, o argumento de que o usuário do Mac é mais criativo acabou também determinando que o usuário do Corel Draw é menos criativo, pois usa o Windowns. Hoje em dia, esse tipo de argumento não se sustenta mais, o que determina a criatividade de um profissional é o seu repertório e habilidade. Por isso, estude sempre e, se sobrar um tempinho, estude um pouco mais.

Comentários

Sâmille disse…
Pois concordo com tudo que foi dito, optar por saber mexer nos dois programas, ou nos dois sistemas é o que realmente faz a diferença. É poder conhecer..ser um pouco curioso nesse meio, provando que ao invés dos sistemas se adaptarem a nós, nós somos capazes de dominá-los.
Demorei a pegar no Ilustrator por medo, esse medo que não deve haver, o Corel parecia sempre a única saída e eu estava presa nas ferramentas dele. Superar isso, e ser curiosa,persistente foi o que fez hoje me adaptar ao Ilustrator..e uma adaptação bem rápida.
É preciso querer conhecer, poder nós podemos (quase sempre), desvendar e agregar conhecimento sempre.

Muito bom o Post Bob ;)
Ricardo Maroja disse…
Bob faça uma comparação definitiva entre os dois levando em consideração velocidade, praticidade, alteração de cores, bugs... Não esquecendo claro, a interatividade com os outros programas parceiros, e o comportamento do programa no mercado, mundial, nacional e regional.
Pode deixar Maroja, vou fazer assim... o próximo job grande eu vou fazer essa comparação.
Anônimo disse…
Muito obrigado pela comparação.

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